2022 World Final

17-21 October, Tenerife (Spain)

A etapa do Algarve do World Corporate Golf Challenge (WCGC) parece fadada para “dobradinhas”, aquela situação pouco frequente em torneios “comerciais” – e ainda mais rara quando se joga a pares – do vencedor da classificação net ser o mesmo da tabela gross.

O Morgado Golf Resort do Grupo Nau recebeu no passado fim de semana a quarta e última etapa qualificativa da 22.ª edição portuguesa do WCGC e a equipa 2 da Casablanca arrebatou as duas classificações, sucedendo da melhor maneira à Turkish Airlines que, um ano antes, também levara tudo à sua frente em Palmares.

O mais curioso é que Ricardo Pereira e Rui Coelho, os campeões no Algarve em 2020, não defenderam o título, pois competiram este ano na etapa qualificativa do Montado Hotel & Golf Resort e garantiram o apuramento para a Final Nacional, triunfando em Palmela na lista gross, embora este ano ao serviço da Garofalo, outro dos patrocinadores do Campeonato Mundial de Empresas em Portugal.

O Algarve é indiscutivelmente o centro do golfe português, a Florida da modalidade no nosso país. Alguma da elite do golfe profissional e amador do país está sediado naquele retângulo deitado no mapa do continente. Mas o regulamento permite que os jogadores possam competir fora da sua área geográfica de residência e foi assim que dois ilustres sócios do Club de Golf do Estoril viajaram a Portimão para conquistarem os dois títulos e garantirem o acesso à Final Nacional, que este ano estreia-se no West Cliffs, em Óbidos, no próximo dia 31 de julho.

Referimo-nos a Rui Pedro Brehm e a David Patrick Gray, que jogaram pela equipa n.º2 da Casablanca e que levaram a melhor em net com 70 pontos e em gross com 59, batendo no primeiro caso a Algarve Invest por 3 pontos e no segundo caso a Padaria Trigo Bom por 2 pontos.

O filme Casablanca, por muitos considerado um dos melhores de sempre, termina com a famosa frase proferida por Rick (Humphrey Bogart): «Louis (Claude Rains), acho que este é o início de uma bela amizade». Pois bem, esta equipa golfística da Casablanca é o resultado de uma forte e longa amizade.

«O David é o meu parceiro há quatro ou cinco anos e basicamente só jogamos juntos. Jogar bem pares juntos tem muito a ver com a química no campo, com o espírito de equipa. O nosso jogo encaixa e nunca vamo-nos abaixo. Conhecemo-nos há muito tempo, nunca nos chateámos no campo e nunca deixámos de ser amigos», assegurou Rui Pedro Brehm, um antigo jogador de ténis, convertido há muito ao golfe, cujos filhos fazem parte das boas equipas amadoras do Estoril dirigidas pelo mítico profissional Miguel Nunes Pedro.

A dupla de Brehm e David Patrick Gray está habituada a ganhar, seja noutros campeonatos de empresas, em torneios do clube e várias vezes qualificaram-se para finais nacionais de diversos circuitos amadores. Isto para além de Patrick Gray já ter sido campeão nacional de seniores (a nível amador). Mesmo no WCGC esta situação não é inédita e será a sua segunda participação na Final Nacional.

Mas apesar de tantos sucessos desportivos, o êxito no Morgado Golf Resort teve um sabor especial por diversas razões: Por ser um dos campos do Open de Portugal, com o qual ambos têm uma relação privilegiada; por há muitos anos não jogarem o WCGC e tratar-se de um regresso auspicioso; porque ao final de nove buracos pareciam eliminados; e, sobretudo, porque é preciso admitir que a concorrência foi este ano de luxo.

«Talvez não jogasse o WCGC há uns cinco ou seis anos. Andei muito por fora de Portugal, a trabalhar no Panamá e na Colômbia e só regressei há menos de dois anos. Andei a ver o calendário de torneios em que pudesse participar, vi o WCGC, senti saudades e disseram-me que agora já só seria possível disputar a etapa do Morgado Golf Resort. Foi por isso que o David e eu viemos do Estoril para jogar em Portimão», disse Rui Pedro.

«Gostamos muito deste campo. Jogamos ali umas oito a dez vezes ao ano em circuitos em que participamos. Ainda há poucas semanas tínhamos lá estado a jogar quer no Morgado quer no Álamos. O Grupo Nau do Mário Azevedo Ferreira fez ali um excelente trabalho e este ano o Jorge Papa (diretor do campo) pregou-nos uma partida porque as bandeiras não estavam nada fáceis, os greens estavam bem rápidos e roughs comem as bolas, engolem-nas», acrescentou o jogador do Estoril que, ainda por cima, disse que no dia do jogo «o vento parou por completo e a temperatura elevou-se a uns 38 graus Celsius. Estava um calor de derreter, bebi três litros de água e apanhei um escaldão nas pernas».

O esforço valeu a pena mas não foi nada fácil: «Ao fim dos primeiros nove buracos estávamos com 6 ou 7 atrás do nosso handicap (hcp). Lembro-me que dissemos um ao outro que iríamos dar a volta. Foi espetacular porque nunca tinha visto o David jogar a Par do campo e ele jogou o “back nine” em 3 abaixo do Par, depois de ter feito 3 acima do “front nine”. No buraco 16, fizemos birdie e Par, deu-nos 7 pontos e tive a sensação de que até poderíamos nem ganhar, mas que já estávamos qualificados para a Final Nacional».

Esta reviravolta que valeu a tal “dobradinha” à Casablanca impressiona ainda mais se acrescentarmos que, das 33 equipas, dos 66 jogadores (só menos quatro jogadores do que em 2020), 38 apresentaram um hcp médio de “single digit”! Estamos a falar de mais de metade. Um nível de jogo elevadíssimo.

«Já nem falo dos “single digit”… quando vi o “draw” e reparei na quantidade de jogadores com hcp entre 0 e 3… impressionante! Para nós, quando vamos jogar torneios, guiamo-nos pelo gross e não pelo net e já ficamos felizes por fazermos um top-10. Agora, vencer o gross com hcp tão bons em jogo, era algo de que não estávamos mesmo nada à espera. Sei que neste WCGC o net prevalece, mas deu-nos um gozo enorme ganharmos o gross», referiu o oficioso capitão de equipa.

Mário Azevedo Ferreira, o presidente-executivo do Grupo Nau e o grande responsável pelos três anos em que o Open de Portugal se disputou no “seu” Morgado Golf Resort, sentiu um enorme prazer por assistir ao regresso do WCGC aos seus campos, até porque apurou-se para a Final Nacional.

«O WCGC no Morgado foi um sucesso assinalável, correu muito bem e a satisfação foi geral. A relação da NAU Hotels & Resorts com o WCGC não é de hoje. O nosso campo dos Salgados recebeu a Final Nacional há uns anos e foi com orgulho que retomámos essa relação com os novos promotores em Portugal deste evento, a Golftattoo», começou por dizer.

«Desde sempre que a NAU Hotels & Resorts fixou como objetivo colocar os seus campos no panorama do golfe de competição, profissional e amador. O expoente máximo foram os três anos do Open de Portugal no Morgado, de 2017 a 2019, mas consideramos fundamental receber competições amadoras. O WCGC é a principal e mais prestigiada competição nacional e internacional de empresas, e consideramos mutuamente prestigiante que o campo do Morgado faça parte deste circuito», acrescentou.

As equipas apuradas para a Final Nacional do WCGC de 2021 foram as seguintes, sendo de notar que a Padaria Trigo Bom repetiu o 3.º lugar net de 2020 e com a mesma formação de jogadores, embora tenha-se apurado pelo 2.º lugar gross:

Pela classificação net:

1.ª Casablanca-2 – 70 pontos, com David Patrick Gray (42 pontos) e Rui Pedro Brehm (28); 2.ª Algarve Invest – 67, com Alberto Morais (32) e Álvaro Matias (35); 4.ª Clínica Dentária Laranjo Tinoco – 65, com Carlos Tinoco (37) e Luís Albuquerque Rodrigues (28); 4.ª Nau Hotels & Resorts – 64, com Mário Azevedo Ferreira (28) e Serafim Carvalho (36); 5ª Eu Tou Ka – 64, com Luís Filipe Fragoso Luís (28) e Pedro Silvestre (36).

Pela classificação gross:

2.ª Padaria Trigo Bom – 57 pontos, com Carlos Poucochinho (28) e Vítor António (29).

Para além da habitual tômbola, houve ainda os prémios especiais patrocinados pela Garofalo, Costa Verde e Bee, que foram arrebatados pelos seguintes “craques”:

Carlos Klimeck (bola mais perto da bandeira no buraco 8), Carlos Afonso (bola mais perto da bandeira no buraco 17), Mikael Kummelstedt (bola mais perto da bandeira no buraco 11), Buphendar Singh (drive mais longo no buraco 13), Nicole Pinter (drive mais longo feminino no buraco 16) e Filipe Morais (drive mais longo masculino no buraco 16).

A Final Nacional Audi do 22.º WCGC Portugal está marcada para o West Cliffs, em Óbidos, a 31 de julho. A 28.ª Final Mundial do WCGC foi agendada de 1 a 5 de novembro no Oitavos Dunes, em Cascais.

Hugo Ribeiro / Golftattoo

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico – convertido pelo Lince.        

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